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quarta-feira, 21 de julho de 2010

O que é inteligência?

Me deparei com um texto sobre Conhecimento e Informação no blog O Que é Isso? da minha querida amiga Eninha e, ao refletir sobre o assunto proposto, me lembrei de uma aula muito interessante de IA (Inteligência Artificial) que tive na faculdade com uma professora que, posteriormente, se tornou uma grande amiga.

Antes de abordar o fato em si, ao contrário do que muitos podem pensar, as aulas de IA não ficavam presas em programação e teorias da computação, mas passávamos muito tempo discutindo filosofia, sociologia e outras áreas do conhecimento e aprendizado. O desafio que a professora propusera para turma era: Explicar o que é inteligência? E o porquê somos inteligentes?

Entendendo um pouco mais desta proposta de aula, uma das maiores lições que tive desta aula aconteceu já no primeiro dia quando a professora lançou, para toda turma, a seguinte pergunta:
- "O que é inteligência?".
Ao ter o silêncio como resposta, ela muda a pergunta:
- "Como vocês definem que uma pessoa é inteligente?".
Então um aluno diz:
- "Uma pessoa inteligente é aquela que sabe tudo, sobre tudo.".
A resposta pareceu satisfatória para a turma e, observando isto, a professora ficou parada por alguns instantes e indagou o colega:
- "Então, baseado no conceito que você acabaste de fazer, me diga: Você se considera uma pessoa inteligente?".

Obviamente que todos na sala perceberam que a resposta teria que ser "Não!". Porém esta divertida questão levantada pela professora, mais do que propiciar uma "quebra de gelo" do tema, fez com que todos na classe percebessem como nós (sociedade) criamos um sentido próprio e idealizado de inteligência (e assim fazemos com muitos outros conceitos).

Estas aulas me fizeram perceber que mesmo um conceito que (aparentemente) é simples pode nos confundir. E nos confunde justamente por que não costumamos a refletir sobre ele ou, simplesmente, o idealizamos. Percebemos que a definição de inteligência é relativa e depende da cultura que se está inserido (por exemplo: o conceito oriental de inteligência é muito diferente do ocidental).

Então me diga... Como você define que uma pessoa é inteligente? E, baseado na sua definição, você se considera uma pessoa inteligente? (risos)

sábado, 10 de abril de 2010

Porquinho na Alemanha


(O Orsty está em férias) Tudo começa com um belo dia de sol. Eu e minha esposa acabáramos de chegar em Munique poucos dias depois do atentado de Madrid. Toda a Europa estava de luto e muito preocupada com possíveis atentados.

Ao chegar encontramos um recepcionista que nos deu todas as informações acerca da cidade e do hotel (em inglês). Perguntamos se seria seguro deixar o carro na rua, já que ele tinha nos informado que a garagem do hotel estava cheia. Ele nos perguntou de onde éramos, respondemos Brasil e ele riu (por que será?). Enfim, o local era super tranqüilo mesmo.

Nossa história começa no dia seguinte. Acordamos, depois de uma boa noite de sono, tomamos café e quando fomos sair, eis a surpresa... um porquinho de pelúcia rosa em cima do capô do carro.

Ok! Vamos tirá-lo. Mas, E se for uma bomba? Ops! Agora a coragem acabou. Nesta onda de tensão não se pode duvidar de nada. Decidimos voltar ao hotel e ver se tinham alguma idéia de como proceder. Mas agora era outra recepcionista que, para variar, só falava alemão. (Que sorte, não?!)

Não pense que é fácil explicar que tem um porco no capô do seu carro para alguém que não fala sua língua. A pobre senhora não entendia nada. Me senti jogando aquele jogo de mímicas para adivinhar o filme. Aliás, agora a palavra "porco" eu sei falar em alemão: "schwein".

Quando entendeu ela chamou a polícia. Neste momento o carro que alugamos se tornou palco de um evento. Surgiam policiais e pessoas curiosas de todos os lados. Um tumulto.

Com o passar do tempo a tensão foi aumentando e tomando proporções muito grandes, pois não se sabia o que poderia acontecer. E juro que já estava pensando que o esquadrão anti-bombas iria explodir o carro alugado.

Parece brincadeira, mas na hora foi um sufoco. Até que, depois de um tempo, surge uma mãe com uma menininha desesperada que avisa que o porquinho era dela e que apenas esqueceu em cima do carro.

Nestas épocas de terrorismo o medo corrói as pessoas. Até um simpático ursinho de pelúcia gerou medo nas pessoas.

A divulgação não-comercial é permitida, desde que se coloque a referência ao orsty.blogspot.com.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O complexo quebra-cabeça de duas peças

Muitas vezes só estamos abertos as nossas realidades e paradigmas. Hoje lembrei de um projeto que participei na faculdade na área de criação de jogos educativos em computadores. E este projeto, em especial, resultou em um aprendizado que carrego até hoje.

Eu e um amigo tínhamos concluído um jogo de quebra-cabeças para crianças, onde uma imagem podia ser dividida em quadrados para a criança recriar a imagem. Na última peça inserida, o computador avisava se o quebra-cabeça ficou correto ou errado. Um jogo bastante simples. (O jogo ainda tinha outras funcionalidade, mas não é foco desta história.)

Pois bem... da teoria a prática: pegamos uma turma de crianças de um colégio para verificar a aceitação e potencial educativo do jogo. Como a turma era de crianças muito pequenas resolvemos, para demonstração, pegar a imagem de um patinho numa lagoa e utilizar uma divisão de apenas duas peças. (na minha lógica, até aquele momento, a coisa mais fácil do mundo)

O que me chamou a atenção foi um menino que disse que o jogo não funcionava. Fui olhar o que ocorreu, imaginando o que teria ocorrido de errado, porém ao verificar que a a criança tinha montando o pato errado (coitado dos pais destes menino, pensei), reiniciei o jogo dizendo para ele tentar novamente.

Para minha surpresa, agora vendo o menino usar o programa, ele errou novamente (só pode estar de sacanagem, pensei). Então perguntei o que foi que ele montou? Ele me respondeu apontando para figura: "Dois patinhos! Um tá entrando e o outro tá saindo do laguinho".

Fiquei congelado observando a imagem por alguns instantes e percebi que o menino tinha razão. E o garotinho acabou me ensinando uma preciosa lição de vida: "Nunca use patos em jogos educacionais."... bem na verdade a lição foi: "não assumir que os outros estão errados sem antes procurar entender o raciocínio da pessoa".

Você já pensou quantos patinhos desses você já pode ter apontado como erro? Nossas certezas podem nos pregar peças todos os dias. Devemos sempre estar abertos a novas formas de pensamento e novas idéias.

Para concluir: no final da história, graças ao ("querido"... risos) garoto tivemos que re-fazer o jogo para aceitar padrões diferentes dos convencionais. E ganhamos uma história para a vida.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O barato pode sair caro

Estávamos eu e minha esposa em Londres. Era o dia do nosso retorno ao Brasil. Como todo bom mochileiro saímos do albergue cedo com nossas malas e fomos ao aeroporto de Gatwick (que é afastado de Londres, cerca de 50 Km).

Da estação que estávamos para chegar ao Gatwick era necessário pegar um trem. Descobrimos duas alternativas: usar o trem expresso ou pegar o antigo. Adivinha o que escolhemos? O mais barato evidente. (cortesia da minha insistência e pão durismo... pode apedrejar... risos)

Pois bem... pegamos o trem e estava tudo tranquilo. No vagão apenas eu, minha esposa e, do outro lado, um senhor mais velho (me lembrava a imagem de Mark Twain), vestindo um elegante terno. Era uma viagem tranqüila. De repente, quando olho pela janela, vejo uma placa sinalizando a estação de Gatwick."Ôpa! É a nossa! Vamos descer!" Peguei as minhas malas, a esposa pegou as dela, o trem parou, corremos até a porta do vagão e ... "Ué! Cadê a maçaneta da porta?!"

Me deparei com uma porta com um vidro em cima totalmente fechada. Pensei que ela iria abrir sozinha e... nada (hoje em dia sempre achamos que vai abrir sozinha). Empurrei a porta e... nada. E agora?! O que faço?! (fiquei apavorado)

De repente vejo o senhor, do outro lado do vagão, fazendo uma mímica como se quisesse subir em um muro. Eu, obviamente, não entendia nada. (acho que você, querido leitor, também não entenderia... acredite!).

Então ele se levanta, corre em nossa direção e coloca a mão na parte de cima da janela e puxa para baixo (no muque mesmo). Depois se deita pela janela, e puxa uma alavanca que ficava perto do chão e... a porta finalmente se abre. (Pois é amigo... a porta só abria por fora.)

Finalmente entendí o porquê, nos filmes antigos, sempre tem aquele senhor que fecha e abre as portas nas estações (você deve ter visto algum?). E, como a passagem era super barata, o funcionário só atua em grandes estações (que foi no caso do nosso ponto de partida). Então temos que aprender este truque para abrir a porta para evitar problemas. (ou, como diz a minha esposa, largar de ser pão duro e comprar a passagem certa. Não precisa repetir... já aprendi a lição. risos!)

Graças a ajuda do simpático senhor chegamos ao aeroporto a tempo e conseguimos voltar. Aprendi neste dia a ser mais observador e que o barato pode sair caro. Pois se perdêssemos a estação, fatalmente teríamos perdido o vôo. (mas hoje dou boas gargalhadas com essa história)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

As meninas e suas bonecas

Há dois dias atrás vi uma notícia que achei bobinha: a nova profissão da Barbie seria engenheira de software. Isto mesmo ela trabalha com computação, tem um notebook rosa e fica em um cubículo decorado com temas rosados e uma foto do Ken. Decidi não noticiar e fiquei pensando no sucesso da Barbie e qual seria a relação entre as meninas e suas bonecas?

Porém no dia seguinte um fato muito mais interessante ocorreu, e decidi que este merecia um post, mesmo que me arrisque a dormir no sofá na próxima semana. (risos)

Minha esposa, que agora oficialmente tem a profissão da Barbie, saiu normalmente ao trabalho. Neste dia em especial ela se reuniu com o grupo de meninas do setor (todas as três) e, no clube de Luluzinhas, decidiram: vamos comprar uma Barbie cada uma.

Então as meninas superpoderosas (acho que revelei algo que não podia, mas...) se juntaram e tentaram comprar as bonecas pela internet, porém a Mattel só está vendendo para os EUA.

Após o pânico inicial, surge a luz... Vamos pedir para o colega que está nos EUA, afinal são apenas 3 bonecas.

Porém nosso bravo herói, sócio de carteirinha do Clube do Bolinha, visando honrar a classe masculina (grrrr... neste momento estou grunhindo os dentes e batendo no peito... risos), obviamente se nega a comprar e trazer as bonecas. Com o incrível raciocínio: "Imagina só se abrem minha mala e acham as Barbies". (Nossa! É mesmo. A imagem dele nunca mais seria restaurada depois disso ... risos)

No final da história, conhecendo minha esposa, aconteceu o que já previa: elas conseguiram convencer o colega a trazer as bonecas... afinal, elas são superpoderosas mesmo. E para completar ainda o convenceram a trazer mais umas série de outras coisas de menina.

Só restou a nós (do Clube do Bolinha) descredenciar a carteirinha de mais um sócio que não honrou a classe. (risos)

A conclusão é que meninas (superpoderosas ou não) sempre conseguem levar a melhor sobre os meninos quando querem. Até mesmo para fazer a insólita compra de uma boneca. O que me remete a questão inicial: Qual é a relação entre as meninas e suas bonecas?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ponto de vista

Você conhece o caos do trânsito indiano? Quem já viu sabe do que estou falando, não? (abaixo tem um vídeo)

Porém no ano passado tive a oportunidade de conversar com um amigo indiano que me colocou um interessante ponto de vista. Ele disse que, ao chegar no Brasil, pegou um taxi que parou por 2 ou 3 vezes em semáforos. O que mais o espantou foi que o motorista ficou esperando o sinal para seguir mesmo não havendo trânsito algum naquele momento.

Ele me explicou que isto seria considerado um total desperdício de tempo na Índia. E me disse que nas auto-escolas eles aprendem as seguintes regras: (1) se tem espaço, ocupe!; (2) quando for ocupar um espaço, buzine para avisar - ele também disse que existe um código de buzinas; (3) vá o mais rápido possível para evitar desperdício de tempo (seu e dos outros).

O interessante foi ele mostrar que o que vemos como caos, eles percebem como uma "otimização de tempo", e as buzinas enlouquecedoras são meios de comunicação para evitar acidentes. Ele concluiu dizendo que o número de acidentes fatais na Índia seria inferior aos dos EUA e Brasil (não sei se é fato, pois não pesquisei).

Independente do dado dos acidentes, constatei novamente uma lição preciosa: muitas vezes deduzimos o que é bom ou ruim baseados na nossa percepção e na nossa cultura e, ao ouvir o amigo indiano explicar, vi que ele tinha uma percepção totalmente oposta a minha e fundamentou-a brilhantemente.

É verdade que ainda considero o trânsito deles um caos, mas agora entendi que existem regras, apenas não as vemos devido a nossa percepção de como deve ser o trânsito. E passei a ver que os nativos (nem todos, imagino) preferem do jeito que está, pois culturalmente acreditam que assim se obtém resultados melhores.

Confira um pouco do trânsito indiano:

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Tudo é relativo

Um papo, com as queridas amigas Leila e Mary, sobre problemas de lógica me lembrou uma lição de vida.

Tinha acabado de entrar na universidade e me achava "o intelectual". Um professor entrou na sala, ministrou sua primeira aula e, ao final, lançou um desafio: Quem resolver um problema até a próxima aula ganhará um ponto na média.

Então ele rabisca no quadro o seguinte enunciado: "Qual a probabilidade de, ao escolhermos uma corda ao acaso em uma circunferência, o comprimento desta ser maior que o comprimento do lado do triângulo equilátero inscrito nessa circunferência?". (Não se preocupe que este post não é matemático).

Saí da sala pensando nisso. E, após horas de raciocínio,... Eureka! Achei a solução! Visualizei um circulo dentro do triângulo e percebi que, as "cordas" que passavam por fora do círculo ficavam menores. Com um pouco de matemática, cheguei a 1/4 (ou 25%). Sou um gênio! (pensava comigo mesmo).

Na próxima aula o professor pergunta quem solucionou o problema. Eu e uma colega levantamos o braço (ambos se achando o máximo). O professor olha o meu caderno, depois o dela e pede para que ela escreva a solução no quadro e explique para turma.

Então ela inicia: "Fixei um ponto e construí um triângulo com as cordas. Percebi que as cordas internas ao triângulo formado eram maiores. Com alguns cálculos sobre arcos cheguei a 1/3 (33,33%).

Quando ouvi aquilo meu coração disparou. Meu mundo ruiu. Pois a colega estava certa. Mas... Como eu errei? Tinha raciocinado tanto sobre este problema.

Nisto o professor me pede para apresentar minha solução. Penso de imediato: Por que ele quer me expor ao ridículo? Mas me levanto e com a voz trêmula expunha minha "droga" de solução, mas o pior era não conseguir ver meu erro. (devia ser muito ignorante, pensava).

Ao final da minha deprimente explicação ele pergunta: Qual das duas respostas está correta? Parte da turma dizia que era a dela e parte a minha. Então ele explicou que o problema que ele apresentara era o paradoxo de Bertrand. E que as duas soluções estavam corretas (pasmem!). Cada uma resultado de um raciocínio matemático diferente. E ele ainda apresentou uma terceira solução (1/2, ou 50%).

Neste dia aprendi a questionar sempre soluções apresentadas como corretas e "inquestionáveis" e acreditar em minhas convicções, estando sempre aberto a observar as convicções dos outros que também podem estar certas pela sua óptica. E, de quebra, ganhei um ponto na média. (risos)

(Achei um site com uma abordagem matemática para quem se interessar)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Eu não tenho apelido... Juro.

Hoje resolvi contar uma historinha que aconteceu comigo em um verão. Ela se passa em um tempo sem internet, quando o mundo ainda era plano.

Eu e minha namorada (hoje minha esposa) decidimos ir ao Uruguai de carro. Isso mesmo... acordamos um dia e, sem planejar, sem pensar, tomamos a decisão: vamos ir... e vamos hoje.

Abastecemos o carro, pegamos um mapa e partimos para a aventura. Éramos jovens e achávamos que falando inglês você era "cidadão do mundo".

A viagem iniciou tranqüila até que na fronteira pediram para que eu fosse ao posto fazer as declarações. Ok! Deixei minha namorada no carro e lá fui eu. É neste ponto que a ação da história começa em um diálogo que jamais esquecerei:

Oficial (com a má vontade padrão): - ¿De ónde vienes?
Eu: - Do Brasil (penso: se vim deste lado da fronteira obviamente sou do Brasil)
Oficial (olhando de canto): - ¿Cuál és su ciudad?
Eu: Porto Alegre.
Oficial (ainda com má vontade): - ¿El coche és suyo?
Eu: - Sim. O carro é meu.
Oficial: ¿Cuál és su apellido?
Eu (sem pestanejar falo): Eu não tenho apelido.

(Neste ponto iniciou minha desgraça. Para quem conhece um pouquinho de espanhol sabe que "apellido" significa "nome"... mas eu, obviamente, não sabia)

Oficial (me olhando espantado): - ¿Cómo no tienes apellido?
Eu (sem entender): - Pois é... eu não tenho... fazer o que?
Oficial (agora vermelho de irritação): - ¿Cómo no?... Todos tienen un apellido.
Eu (calmamente falo): - Pode ser... mas eu não tenho.

A minha sorte foi um senhor simpático que via a insólita cena (e ria compulsivamente) me falou de longe: "O nome. Diz o teu nome para ele". Neste momento percebi minha gafe.

Disse meu nome e o oficial, mesmo estando roxo de raiva, viu que não foi de propósito e nos deixou passar, mas não sem antes virar o carro do avesso (só de sacanagem) e nos fazer tomar um chá de cadeira. Mas tudo bem... eu e minha esposa riamos sem parar da gafe durante toda a situação e estávamos muito felizes com o nosso passeio de índio.

E, neste dia aprendi a preciosa lição: sempre estudar o idioma e cultura de um país antes de conhece-lo. E, para fazer justiça, depois disso visitamos o Uruguai e foi muito legal.