
Muitas vezes só estamos abertos as nossas realidades e paradigmas. Hoje lembrei de um projeto que participei na faculdade na área de criação de jogos educativos em computadores. E este projeto, em especial, resultou em um aprendizado que carrego até hoje.
Eu e um amigo tínhamos concluído um jogo de quebra-cabeças para crianças, onde uma imagem podia ser dividida em quadrados para a criança recriar a imagem. Na última peça inserida, o computador avisava se o quebra-cabeça ficou correto ou errado. Um jogo bastante simples. (O jogo ainda tinha outras funcionalidade, mas não é foco desta história.)

Pois bem... da teoria a prática: pegamos uma turma de crianças de um colégio para verificar a aceitação e potencial educativo do jogo. Como a turma era de crianças muito pequenas resolvemos, para demonstração, pegar a imagem de um patinho numa lagoa e utilizar uma divisão de apenas duas peças. (na minha lógica, até aquele momento, a coisa mais fácil do mundo)
O que me chamou a atenção foi um menino que disse que o jogo não funcionava. Fui olhar o que ocorreu, imaginando o que teria ocorrido de errado, porém ao verificar que a a criança tinha montando o pato errado (coitado dos pais destes menino, pensei), reiniciei o jogo dizendo para ele tentar novamente.

Para minha surpresa, agora vendo o menino usar o programa, ele errou novamente (só pode estar de sacanagem, pensei). Então perguntei o que foi que ele montou? Ele me respondeu apontando para figura: "Dois patinhos! Um tá entrando e o outro tá saindo do laguinho".
Fiquei congelado observando a imagem por alguns instantes e percebi que o menino tinha razão. E o garotinho acabou me ensinando uma preciosa lição de vida: "Nunca use patos em jogos educacionais."... bem na verdade a lição foi: "não assumir que os outros estão errados sem antes procurar entender o raciocínio da pessoa".
Você já pensou quantos patinhos desses você já pode ter apontado como erro? Nossas certezas podem nos pregar peças todos os dias. Devemos sempre estar abertos a novas formas de pensamento e novas idéias.
Para concluir: no final da história, graças ao ("querido"... risos) garoto tivemos que re-fazer o jogo para aceitar padrões diferentes dos convencionais. E ganhamos uma história para a vida.